A Dafra começou a comercializar em suas concessionárias a NHX 190, nova moto urbana que substitui a Apache RTR 200. A Apache RTR 200 deixou o catálogo da marca após o fim da parceria com a TVS, fabricante que prepara sua operação própria no Brasil.
Com isso, todos os produtos comercializados pela Dafra passam a ser da mesma fabricante: a SYM Sanyang. Fundada em Taiwan, em 1954, a SYM tem experiência no mercado global e agora busca conquistar espaço em um dos nichos mais disputados do Brasil com a NHX 190.
A tarefa da Dafra NHX 190 no Brasil não é simples. O segmento de motos urbanas, ou street, é o de maior volume de vendas no país. Com a NHX 190, a Dafra mira o público que busca sua primeira moto, deseja um modelo urbano com especificação técnica acima do básico ou pretende economizar nos gastos durante a semana enquanto reserva uma moto maior para passeios e viagens.
Nesse cenário, a NHX 190 enfrentará modelos como a líder de vendas Honda CG 160 Titan ABS, e também Yamaha FZ 15, Bajaj Dominar 160 e Haojue DR 160.
Para conquistar um lugar ao sol, a NHX 190 aposta em um conjunto compacto e visual moderno, que pessoalmente considero mais atraente do que o da irmã NH 190. Além disso, entrega uma especificação técnica interessante: motor monocilíndrico arrefecido a líquido, com quatro válvulas e 18 cv de potência, acoplado a um câmbio de seis marchas.
Outros aspectos interessantes são a iluminação 100% em LED, a tomada USB bem posicionada, o lampejador de farol e os freios a disco com ABS nas duas rodas.
As suspensões são compostas por telescópicos convencionais na frente e um monoamortecedor traseiro, enquanto os pneus de série são os renomados Pirelli Diablo Rosso II, que priorizam aderência e oferecem uma experiência de pilotagem com ótima aderência e bem divertida.
A NHX 190 é claramente voltada para o uso urbano. No test-ride realizado pelas movimentadas ruas de São Paulo, a moto mostrou agilidade e desempenho satisfatório. Um detalhe curioso são as setas, que emitem um som ao serem acionadas, ajudando o piloto a não esquecer de desligá-las.
A moto é leve, algo que beneficia iniciantes e facilita as manobras no trânsito. Na estrada, porém, o peso abaixo de 150 quilos pode exigir mais atenção e cuidado em situações de ventos fortes ou quando estiver próxima de veículos grandes para evitar sustos.
O motor tem respostas condizentes com sua proposta: entrega potência e torque de forma equilibrada, sem exigir rotações extremas. Embora não seja uma usina de força em baixas rotações, não é necessário explorar o limite do conta-giros para obter boa performance.
Uma curiosidade técnica é que, quando o motor arrefecido a líquido atinge uma determinada temperatura, o eletroventilador entra em ação para reduzir a temperatura do motor. No entanto, o ar quente gerado é direcionado para o lado direito da moto, o que pode incomodar a perna em dias quentes, especialmente se o piloto estiver usando bermuda. Com calça de proteção, o desconforto é minimizado.
Quanto ao consumo, registramos a boa média de 40 km/litro. A velocidade máxima, com vento a favor e moto embalada, chegou a aproximadamente 140 km/h. Em sexta marcha, rodando a 120 km/h, o motor trabalha em torno de 8.500 rpm. A velocidade de cruzeiro fica em torno de 95 km/h.
As suspensões surpreenderam positivamente. Embora o visual esportivo sugira um acerto mais rígido, o conjunto prioriza o conforto, algo valioso para enfrentar o asfalto irregular das cidades brasileiras. Ajustar a pré-carga da suspensão traseira é essencial para manter o controle e a estabilidade ao rodar com peso extra.
Na ergonomia, as pedaleiras levemente recuadas, na teoria, podem desagradar aos pilotos mais altos. Contudo, com meus 1,83 m de altura, achei a posição de pilotagem boa, com um banco que oferece espaço para piloto e garupa, embora não seja o mais confortável da categoria.
Com garupa, o desempenho fica mais limitado. Aí a moto exige mais trocas de marcha para retomadas, como é esperado em modelo com menos de 20 cv de potência.
De forma objetiva: se você não quer uma Honda ou uma Yamaha por qualquer motivo, a Dafra NHX 190 pode ser uma opção. Com preço abaixo de R$ 20 mil, oferece uma boa relação custo-benefício.
É uma moto para lazer e deslocamentos urbanos, mais indicada para quem roda sozinho na maior parte do tempo. Não indico para motofrete, onde modelos com proposta utilitária atendem melhor o trabalhador.
O "porém" está no tamanho da rede de concessionárias da Dafra, que tem apenas 45 pontos de venda no Brasil. Dependendo da sua localização, a moto pode estar a poucos quarteirões de distância ou a centenas de quilômetros de uma revenda, complicando a aquisição e a manutenção.
Se o uso frequente com garupa ou em estradas for uma prioridade, a potência limitada do modelo pode ser um empecilho. Quem sabe no futuro não apareça uma inédita "NHX 300", como a Dafra, junto com a SYM, já fez com a NH 190 e NH 300?Apesar disso, a NHX 190 me surpreendeu positivamente, considerando o nicho dela. A SYM é uma fabricante experiente, e a qualidade do produto reflete isso. Agora, a Dafra enfrenta o desafio de fortalecer sua rede e garantir um pós-venda eficiente, fatores que podem definir o sucesso do modelo no Brasil.
Preço: R$ 18.990 + frete
Cores: azul com preto ou cinza com preto
Motor: monocilíndrico, quatro válvulas, comando simples, injetado e refrigerado a líquido, com 183 cm³, potência de 18 cv a 8.500 rpm e torque de 1,6 kgf.m a 7.500 rpm
Transmissão: câmbio de seis marchas com secundária por corrente
Suspensões: dianteira com garfo telescópico e 12,7 cm de curso, e traseira monochoque com 9 cm de curso e ajuste da pré-carga
Freios: disco e ABS nas duas rodas
Pneus: Pirelli Diablo Rosso II nas medidas 110/70 R17 na frente e 130/70 R17
Dimensões: 74,5 cm de largura, 1,08 m de altura e 1,4 m de entre-eixos. Banco a 78,7 cm do solo e 147,3 quilos de peso em ordem de marcha
Tanque: 11 litros (reserva de 2 litros)
Consumo no teste: média de 40 km/l
Garantia: um ano
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