Foram 392,9 mil veículos produzidos no Brasil no primeiro bimestre de 2025. Crescimento de 14,8% na comparação com o mesmo período de 2024 e um recorde para o período desde 2021. Esse é só um dos números positivos da indústria automobilística divulgados nesta sexta-feira (14/3) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Esse crescimento na produção foi incentivado pela demanda do mercado interno e também pelo forte aquecimento das exportações, que passaram de 49,5 mil unidades nos primeiros dois meses do ano passado para 76,7 mil unidades no primeiro bimestre de 2025. Uma expressiva alta de 54,9%.
"Foi uma grata surpresa. A Argentina favoreceu muito, mas o crescimento ocorreu nos principais mercados de destino das nossas exportações", destacou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.
Principal compradores de carros de passeio e veículos comerciais brasileiros, a Argentina importou 47.875 unidades no período. Alta de 172% em relação a 2024. Os envios para o México recuaram 26%, mas aumentaram as remessas para Uruguai (17%), Chile (12%) e Colômbia (52%).
Por outro lado, a Anfavea não esconde que o crescimento da participação dos veículos de fora do Mercosul é a maior preocupação do momento para a indústria automobilística brasileira. Tanto que a associação defendeu recentemente o retorno imediato da alíquota de 35% de imposto de importação para carros elétricos e híbridos.
Mantendo a tendência vista desde o ano passado, os importados de fora do Mercosul fecharam o bimestre com uma fatia de 10,3% no total de emplacamentos. Empate técnico com os veículos fabricados nos países vizinhos, que tiveram participação de 10,8% no mercado brasileiro nesse mesmo período.
"Precisamos fazer essa distinção entre os importados de dentro e de fora do Mercosul. Com os do Mercosul, acaba tendo um equilíbrio da balança comercial, pois você exporta peças e esses veículos são montados e vem para o Brasil", completou Lima Leite.
Na comparação com 2024, a Argentina ainda é o principal parceiro do Brasil: 47% dos importados vendidos aqui são fabricados por lá. Mas atrelada aos avanço do mercado de carros elétricos e híbridos, a fatia chinesa nesse bolo cresceu de 26% para 28%, e o país asiático se consolida cada vez mais como o segundo maior fornecedor de automóveis importados para o mercado brasileiro.
Ainda segundo a Anfavea, os veículos "Made in Brazil" perderam espaço na América Latina. A participação, que era de 22,5% em 2013, caiu para 13,9% no ano passado. No mesmo período, a fatia da indústria chinesa passou de 4,6% para 27,9%.
"A preocupação não é com a origem da montadora. A nossa questão é produção local ou não. E se essa produção é uma maquiagem ou é verdadeira. O que não dá hoje é ter a tarifa de importação mais baixa entre as dos países produtores no mundo e você não ter condições de competir. Acaba sendo uma competição desleal. O que nos cabe como fabricante é acelerar os nossos investimentos. E estamos fazendo isso", finalizou o dirigente da Anfavea.