Em 2024, foram emplacados pouco mais de 61 mil carros de passeio e comerciais leves elétricos no Brasil. O crescimento foi impressionantes 317,5% na comparação com o ano anterior.
Com um mercado que decola como um foguete, é claro que não falta espaço para novas opções de automóveis a bateria. Nem para um modelo novato e de uma marca que acaba de desembarcar por aqui - caso exato do Neta X.
Para conquistar o público local nesse lançamento, o Neta X tem como um dos seus atrativos o preço muito competitivo. Mas será que esse é o único predicado desse carro? Confira a seguir.
A Neta é mais uma marca chinesa a desembarcar no Brasil. Em janeiro, a empresa inaugurou a sua primeira concessionária no país, lá no Rio de Janeiro (RJ), e pretende fechar o ano com 40 lojas em 20 cidades.
Além do subcompacto elétrico Aya, a marca trouxe para a sua estreia por aqui o utilitário esportivo X. Modelo que chega ao Brasil em três versões: 400 (R$ 194.900), 500 (R$ 204.900) e 500 Luxury (R$ 214.900). Barato? Bota barato nisso!
Mesmo em sua versão de topo, o Neta X ainda é o SUV médio elétrico mais acessível do mercado brasileiro. Briga na mesma faixa de modelos médios híbridos e combustão e o seu concorrente mais próximo em porte é o BYD Yuan Plus, que sai por R$ 235.800.
Mas o X está bem distante de parecer um carro barato. Medindo 4,62 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,63 m de altura e com um entre-eixos de longos 2,77 m, é um SUV médio de porte avantajado.
Com linhas futuristas - embora tipicamente chinesas -, lembra mais um hatch avantajado que um utilitário esportivo. Ainda mais com o pequeno vão livre para o solo, de 13,5 cm. Menor que o da maioria dos SUVs.
Uma coisa que me impressionou bastante no Neta X é o belo espaço no banco traseiro. O entre-eixos generoso garante uma área para as pernas bem ampla e um porta-malas com 508 litros de capacidade.
Com assento confortável, apoio de braço central, saída de ar-condicionado e duas portas USB, deve ser uma experiência bem bacana fazer uma longa viagem com outra pessoa ao volante.
Mas bora voltar ao assento do motorista, porque o condutor sou eu mesmo. No banco da frente, o X é um carro tipicamente chinês. Mas foi-se o tempo em que isso era sinônimo de algo ruim.
O Neta X tem ótimo acabamento para um SUV médio, com couro, materiais macios ao toque em várias superfícies e até suede nos painéis de porta dianteiros e traseiros.
No painel, aquela habitual combinação de quase ausência de botões físicos com uma multimídia de tela grande (15,6 polegadas). E que aqui no Brasil será capaz de espelhar smartphones iPhone e Android sem o uso de cabos.
Mas me surpreendi mesmo com uma solução inusitada dos chineses da Neta: eles colocaram um milhão de atalhos em uma mesma tela da multimídia.
No mesmo menu, você liga e desliga os faróis, altera os modos de condução, abre e fecha a persiana do teto panorâmico e o próprio teto solar, e altera o ajuste dos retrovisores. Bom. Melhor do que nada. No final das contas, a multimídia acaba virando também uma extensão do quadro de instrumentos.
Isso é ótimo, pois a tela digital que fica na frente do motorista pode até exibir várias informações, embora tenha uma cara bastante simples e que destoa do restante do carro.
Desde a versão 400, o SUV elétrico tem teto solar panorâmico, chave presencial, retrovisores externos com antiembaçante e rebatimento elétrico, sensor de chuva, faróis de LED com acionamento automático, interior em couro e bancos dianteiros com ajustes elétricos e aquecimento.
A lista inclui também seis airbags e ar-condicionado de duas zonas, além da multimídia de 15,6 polegadas, sensor de estacionamento traseiro e câmera 360°.
E além dos itens acima, a versão 500 Luxury ainda é equipada com tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos, carregador de celular por indução, função acesso fácil para o banco do motorista, além do pacote ADAS, com itens como frenagem autônoma, controlador adaptativo de velocidade, assistentes de manutenção e centralização em faixa.
A única opção de motorização disponível para o Neta X é um dianteiro de 163 cv de potência e 21,41 kgf.m de torque, que permite ao SUV acelerar de zero a 100 km/h em 9,5 segundos e atingir 150 km/h de velocidade máxima.
O que muda é a bateria. Na 400, são 52 kWh e autonomia de 258 quilômetros. Já a 500 Luxury tem um acumulador de energia de 64,1 kWh e autonomia de até 317 quilômetros.
Os dois alcances são no ciclo PBEV. Como o Neta X é compatível com carregadores rápidos do tipo DC, é possível elevar a carga da bateria de 30% a 80% em cerca de 30 minutos.
Os freios usam discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, enquanto a suspensão é McPherson na dianteira e multilink na traseira.
O meu contato ao volante do Neta X foi bastante breve. Mas foi possível tirar algumas conclusões sobre o desempenho do carro.
O SUV elétrico tem um acerto de suspensão bem bacana. Confortável, mas sem ser macio demais. A direção vai pelo mesmo caminho. Leve, mas sem excesso. E ainda fica um pouco mais pesada no modo Esporte de condução.
O modo Esporte, aliás, foi o que me agradou mais. Entrega respostas claramente mais ágeis que nos acertos Eco e Conforto, e faz com que o Neta X tenha comportamento próximo ao de um SUV compacto com motor turbo.
Já no modo Um Pedal - também conhecido como One Pedal Drive em outros elétricos - não espere as respostas sensíveis de outros carros a bateria.
Por vezes, apenas aliviar o pé do acelerador não irá fazer o X parar, sendo necessário recorrer aos freios hidráulicos do veículo. Prefiro assim.
O Neta X oferece um visual bem atual, bom pacote de equipamentos e vai longe com uma carga. Principalmente nessa versão 500 Luxury.
E a marca irá bancar ainda as cinco primeiras revisões do SUV, que precisa passar pela checagem obrigatória a cada 20 mil quilômetros. A garantia total é de cinco anos e são oito anos de cobertura apenas para a bateria.
Pode ser uma opção para quem está pensando em saltar dos SUVs convencionais para os elétricos e não tem apego pelas marcas mais tradicionais.
Mas será que um pacote muito bacana e um preço extremamente competitivo serão capazes de fazer esse SUV ganhar a simpatia do público brasileiro? Com o perdão do trocadilho, esse é o "X" da questão - e só o tempo irá responder.
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