Todos nós temos segredos. Principalmente aqueles que você jura que estão sob sigilo, mas que já circulam (ainda que em voz baixa) nas rodas de conversa. Pois algo parecido acontece no mundo dos fabricantes automotivos.
Principalmente por questões mercadológicas, as marcas muitas vezes preferem ocultar determinadas características de seus produtos ou do processo de produção dos automóveis. Mas, cedo ou tarde, esses segredos automotivos acabam revelados nas rodas de aficionados. Confira alguns deles a seguir.

Desde que as rodas de liga leve começaram a se popularizar, nos anos 1970, as peças feitas de metais como alumínio e magnésio acabaram se tornando símbolos de status nos automóveis.
Por isso, não é surpresa que alguns fabricantes criem calotas plásticas simulando o visual das rodas de liga leve - inclusive com o uso de rodas especiais de aço estampado com furos combinados.
Mas essa prática não está restrita apenas aos modelos compactos. Um exemplo é o Ford Edge, que foi vendido no país entre 2011 e 2015. O carro era equipado com uma calota plástica cromada que se parecia muito com uma roda de liga leve.

Ainda nessa questão dos equipamentos, é comum principalmente nos carros de entrada que os fabricantes criem eufemismos ou novas siglas para rechear a lista de equipamentos de modelos mais simples.
É assim que calotas plásticas viram "supercalotas", bancos de tecido se tornam acabamento "premium" e itens obrigatórios por lei como os airbags frontais e os freios ABS apareçam listados com destaque na lista de itens de série, em pacotes com uma sigla geralmente em inglês - como se fossem itens especiais.
Essa é uma prática normal em carros feitos por várias marcas de um mesmo grupo industrial, como acontece com o Jeep Renegade e a picape Fiat Toro, que usam o mesmo motor 1.3 GSE turbo.
Mas há casos também em que uma fábrica acaba cedendo motores para um concorrente direto. Foi o caso do Peugeot 206 1.0, que nos anos 2000 saía de fábrica com um propulsor 1.0 16V comprado da Renault.
Ou o caso do Range Rover Evoque de primeira geração, que mesmo lançado em 2011 (ou três anos depois da venda da Land Rover para a Tata) seguiu equipado por alguns anos com o motor Ford Ecoboost, um 2.0 a gasolina de 240 cv.
A nova geração do SUV Suzuki Grand Vitara foi revelada em julho na Índia, com visual, medidas e até as mesmas opções de motores do concorrente Toyota Urban Cruiser Hyryder.
Mas essa semelhança não impressiona as duas marcas japonesas. A explicação para isso é que o Grand Vitara é produzido pela Toyota na fábrica indiana de Bidadi, que é a mesma de onde saem as unidades do Urban Cruiser Hyryder.
Esse é só um exemplo de uma prática usada por vários fabricantes ao redor do mundo. Em tempo: apesar desse parentesco mais do que próximo, o material de divulgação do Suzuki para a imprensa indiana não cita o nome da Toyota. Como se fossem um grande segredo...
Por falar em carros feitos por uma marca e vendidos por outro, vale citar também o caso dos modelos que são fabricados por companhias especializadas apenas em montar automóveis.
Este é o caso, por exemplo, do SUV Mercedes-Benz Classe G, que apesar de levar a marca da estrela não é feito em uma unidade industrial da empresa: é produzido na Áustria, pela companhia Magna Steyr.
A mesma Magna Steyr, aliás, fabrica também o esportivo BMW Z4 e a geração mais recente do Toyota Supra.