TESTE: JAC J3 S é divertido, mas por tempo limitado

Desempenho do novo motor flex da marca chinesa agrada, porém modelo peca no conforto


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Daniel Magri
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A JAC Motors escolheu uma forma interessante para lançar seu primeiro modelo com motor flex no Brasil. A marca chinesa pegou seu principal produto por aqui, o hatch J3, e o equipou com o novo bloco, chamado Jet Flex, que se destaca pela ausência do tanquinho de gasolina para as partidas a frio e pela maior potência. Também deu ao carro itens que dão uma cara esportiva e, assim, nasceu o J3 S, oferecido por R$ 37.490.

 

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É comum, no meio automotivo, dizermos que uma montadora lançou uma versão “apimentada” de determinado modelo quando o mesmo ganha uma variante esportiva, com motor mais potente e diferente acabamento visual.

 

Falando em pimenta, chineses, me vem à cabeça (como um bom gordinho) um famoso prato da culinária oriental: o Frango Kung Pow. A receita é de um frango com molho picante de amendoim e chili. Parece bom, não? Mas será que a degustação é agradável? Será que digere bem? As mesmas perguntas podem se adaptar ao J3 S. Será que a mistura de novos ingredientes ao hatch oferecem ao motorista bons momentos de satisfação, como um bom prato? Vamos ver.

 

Ingredientes

Como falamos o ingrediente principal do J3 S é o novo motor quatro cilindros flexível de 1,5L, que desenvolve 125 cv (gasolina) ou 127 cv (etanol) a 6.000 rpm, com torque máximo de 15,5 kgfm (G) e 15,7 kgfm (E) a 4.000 rpm. Na comparação com o bloco original de 1,3L, somente a gasolina, do J3 convencional, a evolução é evidente e sensível positivamente. O câmbio continua sendo o manual, de cinco marchas.

 

Por fora, O J3 S traz máscara negra nos faróis, rodas de alumínio de 15 polegadas com desenho exclusivo e faixas laterais, pretas ou brancas, dependendo da cor da carroceria. Atrás, as únicas diferenças são as inscrições “J3 S” e “Jet Flex” coladas na tampa do porta-malas.

Por dentro, o modelo conta com soleiras e o conjunto de pedaleiras de aço inoxidável. A iluminação do painel de instrumentos (cluster e rádio com CD player) perdeu a iluminação indireta azul e recebeu a cor predominantemente vermelha. Os bancos, por sua vez, têm novo revestimento. Por fim, o pomo da alavanca de câmbio é preto.

 

Como acompanhamento, a lista de itens é ampla – como no restante da linha – e traz airbag duplo, freios com ABS e EBD, sensor de estacionamento traseiro, volante com regulagem de altura, CD MP3 player com entrada USB, sistema de som com seis alto-falantes, entre outros.

Na balança, o prato não é dos mais pesados: apenas 1.070 kg.

 

Saboreando

O recheio do novo J3 S é, de fato, seu grande trunfo. O motor 1,5L demonstra bom desempenho em diferentes faixas de rotação. A diversão vem já na aceleração, onde a resposta é rápida e até o ruído do bloco agrada. O baixo peso também ajuda.

 

O câmbio, por sua vez, tem boas relações de trocas, embora os engates não sejam exatamente tão precisos. Mas nada que comprometa, é importante ressaltar.

Um ponto de atenção é a direção hidráulica. Assim como já vimos na versão convencional, ela se mostra com uma certa folga, meio “perdida”. Isso em velocidades mais altas pode comprometer a segurança, uma vez que qualquer movimento faz diferença.

 

Já a suspensão tem um acerto mais mole, que deixa o carro “quicando” depois de passar em lombadas. A carroceria também rola um pouco, até mais que o comum nas curvas.

De acordo com a JAC, o modelo, quando abastecido somente com etanol, é capaz de sair da inércia e chegar aos 100 km/h em 9,7 segundos. A máxima é de 197 km/h. Isso faz do J3 S o carro chinês mais rápido comercializado no Brasil.

 

A posição de dirigir pode desagradar a alguns. Tenho 1,78 m de altura e, após algumas horas enfrentando o caótico transito de São Paulo, uma dor na perna direita foi inevitável. A posição dos pedais em relação ao banco prejudica a ergonomia e, consequentemente, tira um pouco da diversão do chinês.

 

Digerindo

O J3 S mostra uma clara evolução de um veículo chinês pensado para o mercado brasileiro. Outro ponto positivo é o fato da marca ter apostado em uma versão esportiva, embora sem muitas mudanças, e não em uma variante pseudo-aventureira, que tende a encarecer os carros sem muito mais a oferecer.

 

Contudo, a ergonomia do carro pode afetar a diversão. O J3 S é saboroso, mas com muito uso deixa o corpo cansado. Tal qual para quem exagera na porção do apimentado Frango Kung Pow. 

Comentários
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